Ilusão do movimento na palma da mão
Flipbook é uma coleção de imagens organizadas sequencialmente, em geral no formato de um livreto para que o movimento das folhas possa dar a impressão de movimento, criando uma sequência animada.
O flip book é um livro
que, por um curto espaço de tempo, se transforma em filme. Uma seqüência
de imagens capaz de narrar uma história. Um objeto que, quando
manipulado, tem algo a dizer. E que já recebeu ao longo da história uma
série de nomes: cinèma de poche (cinema de bolso), hand cinema (cinema
de mão), cinematógrafo ou simplesmente livro animado. Um objeto que
fica a meio caminho entre o cinema e o livro e possui um potencial
narrativo sui generis, graças à ilusão de ótica que proporciona.
Tansição entre livro e cinema
A peculiaridade do flip book
está, entre outros detalhes, na “virada de página” – um procedimento
praticamente ignorado no processo de leitura “normal”, mas que na versão
“animada” do livro ganha uma importância primordial. A passagem de uma
imagem estática (livro) para imagens em movimento (cinema) faz do flip book uma mídia única e transitória. E um meio que sobrevive da ilusão do movimento. Na palma da mão do espectador.
Este, por sua vez, é ativo e completamente autônomo,
determinando sem influências ou normas a velocidade com que o livro é
visto. Pois é possível passar as páginas com calma, rapidez, desprezo,
muita ou pouca delicadeza. Além disso, o flip book,
ao contrário do cinema, permite ao observador/espectador determinar ele
próprio a cronologia de recepção da obra: do começo ao fim ou de trás
para frente.
“Os livros animados”, diz Christoph Benjamin Schulz, curador da
exposição em Düsseldorf, “são brinquedos infantis na forma de lidar e
objetos filosóficos no que se refere à capacidade de expressão
artística."
Além de serem relativamente universais, por não dependerem,
via de regra, do idioma em que foram escritos ou desenhados. Uma exceção
é Leggere, do italiano Giovanno Anselmo, o único flip book traduzido
do qual se tem conhecimento. A razão é simples: por jogar visualmente
com o verbo "ler", não faria sentido “lê-lo” sem compreender o sentido
da palavra.
Tridimensionais, interativos, colados, encadernados...
A própria forma do flip book
pode também variar extremamente: há os especiais para canhotos, os que
só devem ser lidos/vistos de trás para frente ou vice-versa. Há os
impressos em frente em verso e até mesmo os tridimensionais. Muitos não
são nem mesmo mudos, tendo em seu conteúdo referências diretas aos
ruídos provocados pelo passar das folhas. Sem contar os interativos,
folheados com a ajuda do mouse.
Os livros animados podem ser colados, grampeados, parafusados ou
simplesmente encadernados. Trazendo conteúdos da mesma forma diversos:
políticos, eróticos, reais e surreais, conceituais e pragmáticos. No
caso de serem expostos ao público, a liberdade também é grande: podem
ser simplesmente colocados sobre uma mesa ou dependurados por uma fina
corda presa ao teto.
Arte contemporânea e flip book
'Flip book' do duo Gilbert & George (1972)
A exposição na Kunsthalle de Düsseldorf tem o mérito de cobrir uma
lacuna entre a história do cinema e a arte contemporânea, ao apresentar
o livro animado não só como a grande ilusão de movimento no século 19,
mas também – e principalmente – como forma atualíssima de expressão
artística. A mostra traz livros animados históricos, contemporâneos e
até minifilmes experimentais. O que deixa claro, por exemplo, que até
este gênero esquecido tem seu "cinema de autor".
Um dos destaques é a produção de flip books nos
anos 60 e 70, um dos momentos de ápice do gênero, propiciado pelas
tendências de auto-referência da arte em geral. Em meados da década de
70, por exemplo, o artista norte-americano George Griffin fez do flip book o tema de dois desenhos animados.
Num deles, Trickfilm 3 (1973),
o espectador acompanha como desenhos feitos com extrema rapidez vão se
"transformando" em filme. A ilusão do cinema é, neste caso,
desconstruída com a ajuda do livro, uma vez que o espectador “aprende”
como se constrói uma seqüência de animação.
De Warhol a Almodóvar
Ao todo, a exposição em Düsseldorf traz flip books de mais de 170 autores. Entre estes estão curiosidades históricas, como o Underground Movie Flip Book de Andy Warhol intitulado Kiss, que divide o mesmo livro com Buzzards over Bagdad,
de Jack Smith. Ambos datados de “aproximadamente 1966” e de propriedade
de um colecionador de Hannover. Outra raridade são os poucos segundos
de Talk to Her, de Pedro Almodóvar, um minifilme de 2002.
Entre os artistas contemporâneos que tematizam ou utilizam o
livro animado em suas obras, há com freqüência associações a outras
mídias como o cinema, o vídeo ou a fotografia. E vários que procuram,
através da inclusão do flip book, refletir sobre o processo de construção de uma imagem em movimento.
Historicamente, alguns movimentos demonstraram uma predileção especial pelos flip books.
No caso do Fluxus, por exemplo, mais em função de uma simpatia pela
efemeridade das imagens veiculadas do que pela estrutura dos livros em
si. E principalmente pela proximidade do gênero da estética infantil e
do lúdico, acrescida à participação ativa do espectador – posturas
também adotadas por Georg Maciunas, ideólogo do grupo.
Leia mais: Reflexão sobre o tempo; "Final Cut" brasileiro; Desmascarando a "família modelo"; Arcaico e charmoso
Referências:
https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=762280752065813571#editor/target=post;postID=2323701175342439602 - acesso em 22 de abril de 2015
Minhas tentativas apresentaram muitas dificuldades...para folhear...acabei fazendo num livro... a sequência sempre parecia pequena...os desenhos não ficavam localizados como deveriam...enfim...necessidade de exploração intensa...





